Tempestade
Meus cabelos em desordem
sentada na cadeira
viola no colo
sem um tostão
caneta na mão.
Tá pronta a canção.
Não foi pra você
... nem foi por favor
não foi de propósito.
Mas digo que
tô crazy, baby!
Mas sinto que
tô crazy, baby!
Se não houvesse todo mundo
Em que mundo
melhor envelheceríamos?
No seu?
No meu?
No limite dos dois?
Nos desmancharíamos em cada esquina?
Beberíamos um cálice de poesia?
Ou apenas regurgitaríamos
nossas dores e amores
pra vivê-los todos de novo?
para Wander de Souza
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
domingo, 3 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Procurei,
incansavelmente, um adjetivo, substantivo, uma palavra que estivesse
ligada à fobia de tatoos. Mas existem palavras mais contundentes
para descrever essa fobia: preconceito, falta de empatia, falta de
cultura, falta de humanidade ou simplesmente falta do que fazer e
cuidar da própria vida.
Todos
sabemos que o preconceito existe neste mundo, que é tão cheio de
diferentes mas tão cheio de iguais, também... em nosso mundo o
pensamento médio, a mediocridade, impera. Na net há muitos posts do
tipo “acolha todos”, “todos são um só” e essa baboseira
toda... e digo “baboseira” porque parece que é só da boca pra
fora, ou do teclado pra tela!
Sempre
existiu preconceito, sempre existirá, porque a empatia (que é
sentir o que o outro sente, compreender o que o outro compreende)
anda em falta neste mundo que é de nosso Deus, mas que o homem tomou
conta.
Tem gente
que diz que tatoo é coisa de “gringo”. Bem, então, comecemos
novamente:
Tem gente
que diz que tatuagem é coisa de presidiário (alguns presos, sem ter
o que fazer na prisão – pois em sua maioria são enjaulados sem
qualquer programa de reabilitação ou laborterapia – costumam
reunir-se em bandos tanto para sua própria proteção ou para formar
grupos de fuga, mesmo... e alguns acabam tatuando marcas em seus
corpos para identificar-se com seu grupo – a única coisa que possa
parecer um sinal de companheirismo num mundo como o deles).
Tem gente
que diz que tatuagem é coisa de gangue... claro que é, mas existem
grupos de todo tipo e gangues que não se tatuam, também (as mais
famosas e perigosas são as que usam colarinho branco)... O fato é
que se pensa na marca das gangues e não no porquê delas existirem
(produto da solidão urbana e da falta de educação e amor ao
próximo).
Também
tem gente que diz que tatuagem é coisa de gente masoquista (que
gosta de sofrer) e também há razão nisto, tem muitas pessoas que
gostam de sofrer – mas nem todas, aliás, uma pequena porcentagem
tem desenhos pelo corpo.
Poderia
passar muito tempo falando sobre todo tipo de preconceito que a
tatuagem sofre e estaria falando também, muito diretamente, sobre
todo tipo de marcas invisíveis que a sociedade tem, mas isso de nada
adiantaria àqueles que não conseguem raciocinar e de nada
adiantaria para ajudar aqueles que são visados como foras-da-lei por
aqueles de “corpos limpos”.
O grande,
essencial, primordial problema quanto a um preconceito (e não apenas
o reservado às pessoas tatuadas) é quando ele passa do plano das
ideias para o plano das ações e consegue tirar o sustento de
pessoas, seus empregos e chances na vida apenas pelo simples fato de
terem optado pela expressão da arte na pele ou serem diferentes das
outras em quaisquer aspectos.
Venho,
neste manifesto, tentar abrir os olhos daqueles que estão com duas
travas endurecidas dentro dos próprios e clamar pela abolição das
ações preconceituosas no mercado de trabalho e em demais níveis da
sociedade.
Quem
acreditar que somos todos semelhantes e que, dependendo de como
vivemos, aprendemos, exercitamos nossa liberdade acabamos nos
diferenciando tanto interna ou externamente mas que não deixamos de
sermos seres humanos, pense, por um minuto apenas, nas pessoas que
você conheceu e que lhe pareceram “estranhas” a princípio mas
que, depois de conhecê-las, você lhes “tiraria o chapéu”...
pense novamente em outras mais que usam tatuagem (seja por qualquer
que seja o motivo) e que você sabe que já sofreram algum dia (ou
todo os dias, como acontece normalmente) um olhar diferente de outras
pessoas, uma falta de cumprimento de outra pessoa ou falta de
aceitação.
Vilipendiar
o esforço e a qualidade das pessoas em nome de um preconceito
absurdo como este é crime. Deverá ser considerado crime. Pois
assim, muitas pessoas são privadas de sua vida – tanto a
profissional como a familiar como a espiritual como a social e
outras. E ajudar a roubar a vida que todo ser humano tem direito é
crime, sim!
terça-feira, 14 de agosto de 2012
esse é para você
Perdi a aposta.
Estou abrindo as pernas.
Espacate feito uma bailarina.
Nada de me jogar num precipício.
Quero dançar.
Bailar ao som de uma canção.
De preferência uma ária.
Pouco conhecida...
Nada desses
Tchaikovsky's da vida!
Vou dançar descalça.
Só quero o breu em minha volta.
Quero ser a dançarina
de blues
do meu quadro.
Ou a velha bailarina
do meu poema, que seja...
mas continuarei
a ser eu.
Nunca te quis meu.
Ó meu antigo par.
Destruidor de valsas.
Nunca vai rolar um samba.
Ou rumba.
Entre nós.
Nunca pularemos
ao som de
um bom
ou velho
rock n'roll.
Sabe por quê?
Porque no seu coração
de leão
não existe canção.
E a música
seja ela ao longe
ou seja vaga
ou seja ao perto
não é para os fracos.
Para ela são
necessários músculos,
fortes,
inclusive
os do coração.
Sua alma
é inconsistente e porosa
como uma peneira:
jamais abraçará uma pepita que seja.
Você nasceu para as pedras,
para o que é bruto
e não tem beleza.
Em você
tem morada
a tristeza.
Passe bem,
meu antigo amor,
porque nossa estrada bifurca-se aqui.
E jamais, jamais
haverá qualquer som a nos embalar.
Porque minha alma é feliz.
E a sua, um tormento.
Porque em mim
nasce a cada dia
a alegria...
e em você,
com certeza,
ela jamais acordaria.
Para você, restam, de mim, os finais -
e esses não são felizes.
Para mim, de você, restam os finais -
e esses não são mágicos.
Agora me vou.
Vou bailar ao som dos ventos.
De bons tempos vindouros.
Vou dançar para esquecer.
Que um dia dancei.
Que perdi a aposta.
E já estou abrindo as pernas.
Espacate.
Feito uma bailarina.
Nas mãos
u
m
a
c
e
n
o
de adeus!
Estou abrindo as pernas.
Espacate feito uma bailarina.
Nada de me jogar num precipício.
Quero dançar.
Bailar ao som de uma canção.
De preferência uma ária.
Pouco conhecida...
Nada desses
Tchaikovsky's da vida!
Vou dançar descalça.
Só quero o breu em minha volta.
Quero ser a dançarina
de blues
do meu quadro.
Ou a velha bailarina
do meu poema, que seja...
mas continuarei
a ser eu.
Nunca te quis meu.
Ó meu antigo par.
Destruidor de valsas.
Nunca vai rolar um samba.
Ou rumba.
Entre nós.
Nunca pularemos
ao som de
um bom
ou velho
rock n'roll.
Sabe por quê?
Porque no seu coração
de leão
não existe canção.
E a música
seja ela ao longe
ou seja vaga
ou seja ao perto
não é para os fracos.
Para ela são
necessários músculos,
fortes,
inclusive
os do coração.
Sua alma
é inconsistente e porosa
como uma peneira:
jamais abraçará uma pepita que seja.
Você nasceu para as pedras,
para o que é bruto
e não tem beleza.
Em você
tem morada
a tristeza.
Passe bem,
meu antigo amor,
porque nossa estrada bifurca-se aqui.
E jamais, jamais
haverá qualquer som a nos embalar.
Porque minha alma é feliz.
E a sua, um tormento.
Porque em mim
nasce a cada dia
a alegria...
e em você,
com certeza,
ela jamais acordaria.
Para você, restam, de mim, os finais -
e esses não são felizes.
Para mim, de você, restam os finais -
e esses não são mágicos.
Agora me vou.
Vou bailar ao som dos ventos.
De bons tempos vindouros.
Vou dançar para esquecer.
Que um dia dancei.
Que perdi a aposta.
E já estou abrindo as pernas.
Espacate.
Feito uma bailarina.
Nas mãos
u
m
a
c
e
n
o
de adeus!
terça-feira, 24 de julho de 2012
Que droga é essa de impressão de que sempre estou sobrando? Quando faço o bem, quando faço o mal, sempre tendo que andar em ovos, ter cuidado.
- Cuidado com o que diz! - Cuidado com o que faz! - Se for limpar a casa não faça poeira! (eu me lembro disso!) - Se for me ajudar, faça silêncio! (também disso)
E, agora, de novo, pedir por favor, não se magoe, mas quero te dar um presente. Se não gostar eu pego de volta, fiz para você mas não tem problema se não gosta de mim!
Até quando? Até quando pegarei esse bonde? Deitarei na mesma linha de trem e ficarei esperando até que mais alguém me esmague enquanto palita os dentes?
O pior é que, mesmo fazendo o bem, me sinto culpada. Queria parar esse trem, mudar a posição dessa estrada.
Achar um lugar que não tenha placas de sinalização, um lugar aberto que me deixasse deitar, dormir na relva, plantar, colher, viver como deve viver uma boa pessoa, sem precisar ter medo de fazer um carinho e levar uma mordida.
- Cuidado com o que diz! - Cuidado com o que faz! - Se for limpar a casa não faça poeira! (eu me lembro disso!) - Se for me ajudar, faça silêncio! (também disso)
E, agora, de novo, pedir por favor, não se magoe, mas quero te dar um presente. Se não gostar eu pego de volta, fiz para você mas não tem problema se não gosta de mim!
Até quando? Até quando pegarei esse bonde? Deitarei na mesma linha de trem e ficarei esperando até que mais alguém me esmague enquanto palita os dentes?
O pior é que, mesmo fazendo o bem, me sinto culpada. Queria parar esse trem, mudar a posição dessa estrada.
Achar um lugar que não tenha placas de sinalização, um lugar aberto que me deixasse deitar, dormir na relva, plantar, colher, viver como deve viver uma boa pessoa, sem precisar ter medo de fazer um carinho e levar uma mordida.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Parto
Engraçado, você! Diz que tem medo de quem é amoroso contigo... isso me cheira é a insegurança e medo de se entregar, isso sim. Nem quero saber de que mais medos você tem.
Sou de outra linhagem (aguento pancada!) e de quem menos tenho pena é de mim.
A temperatura hoje está caindo, mais e mais a cada minuto - mas não pretendo tomar nem um gole pra me esquentar... não me suportaria, depois. O arrependimento não é agridoce... é coalho, malfazejo... precisa de pajelança pra arrancar depois - melhor não arriscar.
Mas queria dizer que te acho fraco - queria, no entanto, embora não curta pessoas fracas, queria ser sua parte forte, se você deixasse - ser sua cara/coroa - cara/metade - mas sou, sempre, é a outra-face.
Dane-se! Você me esfola viva, me bate (subjetivamente, é claro! - por que eu tenho que lhe explicar tudo o que quero dizer?! Você nunca entende!!) porque tem medo de apanhar. e, medo pior: medo de ser gostado, apoiado - e não conseguir fazer jus à coisa toda, medo de falhar.
Se olhasse por um instante no fundo de seus próprios olhos você perceberia de que é capaz de muito mais do que ousa.
Qual é a frase? Já me disse tantas vezes... mando de volta, definitivamente: - "Siga sua vida!".
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Ricardo coração de papel
Desgraçadamente, percebo em minhas veias a palpitação característica que acompanha a necessidade urgente de fazer versos, escrever prosas... desgraçadamente, porque me encaixo naquele tipo de criatura que só escreve quando sofre. Não tenho nem um poema-rebento sequer feito em um momento feliz. Já que me contorcem os dedos, treme a mão na falta de uma pena, certa estou de que se aproximam negros dias, recheados de rimas mas salpicados de lágrimas feito diamantes espalhados sobre o chão. Não há como evitar a febre, ela é negra como a tristeza, é quente como o fogo do inferno ou talvez gelada como o clima no polo da solidão.
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